Dança no  Mundo


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As Danças crioulas do Caribe

Apesar da multiplicidade da culturas africanas transportadas ao Novo Mundo, as danças do caribe acabaram apresentando uma certa homogeneidade: as danças de salão européias proporcionaram uma base coreográfica comum e alguns costumes como a figura (atualmente extinta) do bâtonnier ou commandeur..
Os lavradores franceses levaram a quadrilha, o galope, a contradança, o muniete, a polca, a mazurca e a valsa; os ingleses a giga e a escocesa; os espanhóis, o fandango (que foi incorporado na Espanha pelos escravos bantués) , o sapateado, o bolero ou a segudilha. Os escravos negros assimilaram estas danças graças as bandas militares (geralmente formadas por quatro ou cinco músicos) que tocavam nas praças para os brancos.
Estas coreografias, pensadas inicialmente para os salões, foram assimiladas de diferentes formas em cada ilha do Caribe.
Assim nasceram as danás crioulas. Por exemplo, a quadrilha francesa transformou-se, na Jamica, no mento, dança que ainda existia, nos anos 50, na Guiana, Santa Lúcia e nas Antilhas francesas. Um bâtonnier (o commandeur) dirigia a dança e ia ordenando com assobios as diferentes coreografias que os dançarinos deviam fazer ao ritmo de violinos, acordeão, violão, tambor, sillac (cana de tambor), chá-chá (maracas) e ti-bwa (triângulo). Com estas danças também se dançavam as mazurcas e as escocesas.
Outras músicas européias inspiraram as danças caribenhas, inclusive as mais cultas. A música de Chopin e o romantismo europeu criaram pautas que os compositores negros seguiram, como as que influenciaram a música afro-americana para criar o rag de Scott Joplin. Através desta influência e da contradança surgiu a dança porto-riquenha e cubana, com diversas coreografias (também dirigidas por um bâtinnier) que culminou em uma dança de casal em 2/4, o atual merengue e o meringué, uma dança de salão haitiana. Em Cuba, o sapateado transformou-se em uma dança que é acompanhada por um acordão, um órgão, pequenos timbales e um guiro, uma abóbora grande, seca e vazia, com uma série de estrias sobre um dos lados.
Em porto Rico, as descendentes da seguidilha e das danças camponesas são as danças de garabato, fandanguillo (estendidas para outros países do Caribe e da América Central) e correias. Mas onde todos estes ritmos e danças alcançaram a sua expressão mais intensa nos carnavais, festa importada pelos europeus e adaptada pelos negros (e, portanto expresão por antonomásia da essência crioula), que se realizam tanto nas festas de natal como também durante a quaresma.

Os ritmos do Caribe

Biguine: A biguine de Santa Lúcia e Martinica caracteriza-se pelas ondulações dos quadris do homem para frente e para trás, enquanto a mulher mantêm os seus braços ao redor das costas do homem. Os passos foram incorporados ao merengue haitiano e ao calipso.

Bomba: Dança de Porto Rico. Uma fusão de ritmos ashantis e bantués e de coreografias que procedem das antigas danças da corte européia. Os homens e as mulheres, vestidos de branco, dançam no meio de um círculo de espectadores. Quando um dançarino aproxima-se do tambor principal (requinto) improvisa ritmos complexos com os pés que o percursionista deve reproduzir.

Calipso: Música satírica de Trinidad que data do final de século XIX, e que a partir da sua popularização, em 1956, pelo cantor Harry Bellafonte, criou uns passos parecidos com os do bolero cubano ou a biguine da Martinica.

Dança: Dança do século XIX que se transformou em dança nacional do Porto Rico.

Ibo: Versão lenta do merengue haitiano caracterizado por um marcado movimento de quadris e giros da cabeça.

Jombee dance: Dança do Tobago, fruto de uma fusão das gigas que um regimento escocês ensinou aos dançarinos negros de século XIX. Através de violinos que seguem padrões europeus soam os ritmos africanos dos tambores e dos triângulos..

Mangulina: Dança semelhante à valsa de República Dominicana.

Merengue: Dança dominicana. Um dos resultados mais conhecidos da fusão entre o africano e o europeu. Tem compasso de 2/4 com acento sincopado no primeiro tempo, marcado pelos dançarinos com um sutil passo "mancado". Tornou-se bastante popular nos anos 50.

Pambiche: Versão lenta do merengue.

Quisqueya: Descendente do jaleo espanhol e das marchas militares, com música de letras de duplo sentido erótico e dança extremamente sensual. No Haiti utiliza-se um estilo mais suave do que nas demais ilhas.

Reel: Dança de origem escocesa praticada nas danças rituais de Tobago.

Reggae: Dança jamaicana. Fusão de cantos de trabalho, ring songs (músicas cantadas em círculo c/ alternância de solista e coro) , a antiga dança da fertilidade, e outras danças. O movimento característico do reggae é a marcada flexão de joelhos, o yanga.

Sapateado: Dança camponesa de origem espanhola que se pratica em Cuba e em Porto Rico. O sapateado aparece entre os camponeses cubanos nos meados do século XVIII. O casal bate no chão com as solas dos seus sapatos. O homem dança com as mãos atrás das costas, executando os passos mais complicados, enquanto a mulher seduz o dançarinos balançando as saias.

 

 

 

 

 


Extraído da publicação: "As melhores Dicas de Dança de Salão" publicada por edições Del Prado.