Para quem valoriza a saúde, mas não aceita o sacrifício,

não há notícia melhor.

Dançar é a forma mais simples e saudável

de exercitar o corpo e a mente.

Em vez de se deixarem dominar pela angústia, que a busca de um corpo perfeito gera, mulheres e homens acharam o caminho da dança. A prática regular de uma atividade física além de dieta adequada são indicadas pelos especialistas como a melhor forma de emagrecer e de cuidar da saúde. Mesmo quem só começa aos 70 anos alcança benefícios importantes. A escolha da modalidade deve ser criteriosa e feita junto com profissional habilitado.

“Andar a pé, no mínimo uma hora por dia, todos os dias e não uma ou duas vezes por semana é uma boa escolha”, recomenda a geriatra Mariana Jacob a todos os seus pacientes. “Se faltar vontade ou dedicação é melhor não andar do que exercitar-se apenas uma vez ou outra , para evitar dores musculares e agressão às articulações. O ácido úrico sobe mais nas pessoas que não andam com regularidade.”

Antes de qualquer exercício é preciso fazer testes cardiológicos e ortopédicos para saber se está andando corretamente e se não precisa de palmilhas…

Andar e malhar são exercícios que devem ser repetidos regularmente e é por isso que muita gente foge da atividade física. E vem daí a recomendação médica para a prática da dança que mexe com o corpo e com a mente.

Lições de dança vão além das aulas, diz a professora Carla Salvagni, proprietária de uma academia no Itaím com mais de 600 alunos orientados por 20 professores, Tão importante quanto a cadência do “um-dois-três-gira”do comando do professor é a forma como cada aluno entra na dança que processa o aprendizado. A postura que se aprende na dança de salão inevitavelmente acaba se associando a rotina do dia-a-dia. É uma parceria com fins estéticos, mas que resulta em benefícios emocionais observados a olho nu. As pessoas quando dançam acionam uma usina de energia que faz com que o indivíduo se integre e entre em sintonia com o seu corpo e aí ele passa a entender o que significa conquistar o próprio espaço físico, caminho mais curto para o equilíbrio emocional.

A dança é uma atividade essencial . É a descoberta da linguagem corpórea que muita gente nem sabe que existe, mas que tem a mesma importância da linguagem escrita e mesmo da linguagem oral e produzem estresses desnecessários. Ao conhecer a linguagem do corpo automaticamente adquire uma noção de espaço e tempo. Com esse conhecimento as pessoas trabalham com mais atenção, mais disciplina, desenvolvendo o raciocínio, se soltam, se desinibem e, consequentemente, se comunicam melhor.

Para desenvolver esse conhecimento, empresas de São Paulo, de grande e médio porte, têm procurado academias para proporcionar aulas de dança para seus funcionários. Em alguns casos são os próprios funcionários interessados que organizam esses cursos e os propõe aos seus chefes. Outras vezes são as empresas que buscam esse tipo de atividade para seus empregados, visando obter uma integração maior, convívio melhor e consequentemente aumento de produtividade.

Muitos alunos de danças de salão , como a bancária Celina Fernandes, de 45 anos, diz que “movimentando-se ao som de ritmos diversificados fiz grandes e ótimas descobertas: dançar causa um enorme prazer, acaba com a inibição e me integra melhor”.
O efeito mais imediato das aulas de dança para mim afirma Marisa Borges, foi o descanso que se dá as preocupações. Vinte minutos de dança vale tanto quanto uma hora de ginástica aeróbica. Quem dança não reclama de dor de cabeça, dor nas costas, não sofre de úlcera e vive em paz com o sistema nervoso.

O professor Eder Aguiar que dá aulas no Centro Esportivo do Ibirapuera ensina que quando se repete os movimentos percebe-se que atuam na massa muscular, produzem energia e, por conseqüência, motivação e disposição para outras atividades físicas. A dança provoca uma alegria que passa pela fisiologia, diz Eder, ela aumenta a circulação sangüínea, trabalha as extremidades e ativa o sistema linfático, justamente o mecanismo de defesa do corpo, explica Carla Salvagni. É uma atividade democrática. Não exige que se alcance padrões impossíveis. E, como não há espelhos, cada uma faz o que pode e como pode, sem vergonha . É assim que se solta a imaginação e a comunicação fica muito mais fácil. O que observamos nos alunos é que o poder de concentração aumenta, as pessoas ficam mais ágeis, mais atentas e não se cansam facilmente.

Quando se começa o dia dançando pode-se enfrentar qualquer situação por mais difícil que seja.

Inês Vieira, 17 anos, dança para vencer a enorme timidez que a acompanha desde a infância. Depois de quase uma ano de aulas semanais, tornou-se uma menina falante, extrovertida, divertida e bem humorada.

“A dança me ajudou a soltar a criatividade e me convenceu de que quando venço um desafio na dança me diz que sou capaz de enfrentar o mundo de peito aberto.”

“Antes era tão reprimida que entrava em pânico só de pensar que tinha que expor alguma opinião. Hoje ao contrário, gosto de me expor e expor o que penso. Não tenho medo de desafios e não levo desaforo para casa. É uma lição de sobrevivência que devo à dança de salão.”

Nunca é tarde para incluir a dança na rotina diária, dizem os geriatras. Existem doenças silenciosas como a arteriosclerose ou diabetes, com ação corrosiva e que podem matar com rapidez. Estima-se que quase 30 mil pessoas morrem por ano no Brasil, em decorrência de gripes e pneumonias e que necessitam tomar vacina uma vez por ano. O combate às depressões é uma luta importante para os que já entraram na terceira idade. Mais de 40% das pessoas com mais de 60 anos sofrem de um tipo de depressão; 30% com mais de 85 anos sofrem algum tipo de demência e 20% das mulheres com mais de 60 anos sofrem de osteoporose. Há alguns bons medicamentos para tratar e reverter esses casos. Mas, os geriatras repetem que em vez de fazer terapia e tomar calmantes as pessoas devem fazer exercícios . Faz muito bem a cabeça. O convívio com amigos , família, netos, uma boa viagem, assistir a um concerto, ir ao teatro, são ótimas alternativas terapêuticas. O que importa nessa fase da vida é se distrair, é o lazer.

Nesse leque de receitas entra a dança de salão, uma das atividades mais saudáveis que a humanidade desenvolveu. Seu início se deu na pré história, e tinha função ritualista. A manifestação corporal enquanto linguagem é muito rica. Serve a diferentes propósitos, pondo a pessoa que dança num nível de interação que só quem dança pode compreender. Um componente sensual parece tomar conta do dançarino, deixando-o numa espécie de transe espiritual. O exercício é ótimo para o corpo e para a alma. E não importa muito a velocidade ou a perfeição com que se dança. Dos movimentos mais frenéticos aos mais vagarosos, lentos e compassados o efeito é um só: prazer.

A dança de salão, desde que surgiu, tem também objetivos sociais, como o de relacionamento e integração de seus participantes na sociedade, ensinando princípios de boa educação . Seu trabalho corporal é relativo, embora exista comprovado aumento de agilidade e percepção rítmica. A dança como a concebemos hoje, começou com o minueto no século XIV, depois a mazurca e a polca. Na evolução, continuou com a valsa, o tango e o mambo. Entre os folclóricos, no Brasil, surge o xaxado, nascido no sertão pernambucano. Foram surgindo o samba, o bolero, o fox. Atualmente, em cada verão surge uma nova fantasia que toma a todos de assalto e enche os salões de ritmo quente. São os modismos que aparecem e desaparecem como a lambada, o axé, tchan, salsa e merengue. São ritmos que fazem com que dezenas de pessoas invadam as escolas de dança. Uepa! O baile começou!